Terça-feira, 30 de Novembro de 2010
A pouco e pouco isto vai deixando de ser um país e vai sendo uma coisa quase a dar vontade de rir.
A minha terra é a língua portuguesa
Ora nem mais. E os patrícios a darem-lhe na retórica do sarcasmo para tornear lapsos na sabedoria. Ou, calhando, aristocratas empedernidos do seu território psíquico?
“Dois alentejanos na beira do alcatrão. Um, guardando um rebanho de lãzudas e dando umas lérias. Outro, escoando o tempo a tabaquear e dando umas lérias.
Pára uma lata, bem brunida, com uma matrícula a modos que estrangeira. De dentro saem dois peralvilhos a dar para o britânico. Dirigem-se aos patrícios e linguarejam:
- Cette route mène à l’Algarve?
Os patrícios entreolham-se e quedos e mudos olham novamente os peralvilhos. Os peralvilhos voltam ao ataque em alemão. Os patrícios continuam quedos e mudos. Os peralvilhos voltam ao ataque em inglês. Os patrícios na mesma como a lesma. Os peralvilhos voltam ao ataque em italiano. Os patrícios continuam quedos e mudos. Os peralvilhos voltam ao ataque em espanhol. Os patrícios na mesma como a lesma. Com um ar apoquentado os peralvilhos embarcam na lata e aceleram para lá da linha do horizonte.
- Manel, calhando devíamos aprender línguas?
- P’ra quê, estes sabiam cinco e abalaram na mesma!"
(contada pelo mê Manel de Beja de roda de um branquinho da talha de Vila Alva)
Se a coisa não fosse tão séria....
Gostamos ou não de ter "pobrezinhos"?
No mesmo dia em que a comunicação social fazia eco desta atitude colectiva, desloquei-me a uma repartição de finanças com o objectivo de obter uma "declaração de não divida". Fui informada de que essa declaração me custaria 12 ,50 Euros mas que tinha a alternativa de a retirar da net com o uso de uma palavra passe.
Compreendo que o objectivo é descongestionar os serviços públicos; que assim se "emagrecem" as afluências às repartições (emagrecer é uma expressão muito em moda). Mas também pude constactar que quem se vê obrigado ao pagamento daquela quantia (em troca de um papel que lhe é exigido pelo mesmo sistema) são os mais desfavorecidos. Todos os que não têm acesso à NET, nem ao uso regular de computadores.
Os mais "contribuintes" são então os mais pobres. Porque este sistema conta que os outros usem as alternativas previstas. Quem as não tiver... parece que "temos pena" mas aceitamos que eles paguem por nós. Como parecemos aceitar que hoje todos têm computadores, impressoras, hábitos e saberes iguais aos nossos. Quem os não tem... deve pagar por isso!
Será a isto que chamamos inclusão ? Ou gostaremos mesmo é de continuar a ter entre nós "pobrezinhos" que nos dão a sensação de sermos superiores a alguém ?
Segunda-feira, 29 de Novembro de 2010
Barcelona, 5- Real Madrid, 0: a arrogância, geralmente, é má conselheira
E as outras Câmaras do Alentejo? Calam-se?
A Câmara Municipal de Grândola associa-se amanhã, dia 30, ao movimento mundial “Cidades para a Vida – Cidades Contra a Pena de Morte”.
A adesão à iniciativa será feita através da iluminação do Memorial ao 25 de Abril, monumento que a autarquia mandou há anos erigir em homenagem à Revolução dos Cravos.
Com início em 2002, esta acção, promovida pela Amnistia Internacional, decorre anualmente e tem vindo a receber um cada vez maior número de participações.
Até à data, aderiram já 1184 cidades de 81 países, entre os quais Portugal.
Esta celebração constitui mais um gesto simbólico da Amnistia à qual a Câmara de Grândola junta a sua voz e que pretende, desta forma, contribuir para a união do planeta contra a pena de morte. Neste dia, cidades de mundo inteiro iluminam um edifício público ou um monumento histórico.
Vice-versa

Os muitos que, pelas vicissitudes que atafulham compêndios, nem à jorna de jardineiros da natureza tiveram direito, restou enxamearem as cidades.
Agora que o insaciável e obeso mercado entrou na paranóia de nem as avaras migalhas querer partilhar para alimentar o vicioso círculo, ao seu imenso fiel e idólatra exército que enxameou as cidades, nada mais restará que o versa-vice.
Wikileaks: a globalização da denúncia
Domingo, 28 de Novembro de 2010
Estória bastante actual
Certa tarde, um famoso banqueiro ia para casa, em sua enorme limousine, quando viu dois homens à beira da estrada comendo relva. Ordenou ao seu motorista que parasse e, saindo, perguntou a um deles:
- Por que vocês estão comendo relva?
- Não temos dinheiro para comida…- disse o pobre homem - Por isso temos que comer relva.
- Bem, então venham à minha casa e eu lhes darei de comer - disse o banqueiro.
- Obrigado, mas tenho mulher e dois filhos comigo. Estão ali, debaixo daquela árvore.
-Que venham também -disse novamente o banqueiro. E, voltando-se para o outro homem, disse-lhe:
- Você também pode vir.
O homem, com uma voz muito sumida disse:
- Mas, senhor, eu também tenho esposa e seis filhos comigo!
- Pois que venham também - respondeu o banqueiro.
E entraram todos no enorme e luxuoso carro.
Uma vez a caminho, um dos homens olhou timidamente o banqueiro e disse:
-O senhor é muito bom. Obrigado por nos levar a todos!
O banqueiro respondeu:
- Meu caro, não tenha vergonha, fico muito feliz por fazê-lo! Vocês vão ficar encantados com a minha casa... A relva está com mais de 20 centímetros de altura!
Moral da história:
Quando você achar que um banqueiro (ou banco) o está a ajudar, não se iluda, pense mais um pouco...
Recebida por e-mail.
Mais uma nódoa
Partilho da opinião de Emídio Rangel, fundador e ex-director da SIC, que ao DN diz que a estação está a cometer um erro: "Ao recrutá-la, a SIC está a dar uma machadada na sua filosofia. A Manuela Moura Guedes é muito pequenina para fazer caçadas a políticos. É lamentável que se premeie aquele jornalismo sem regras."
Notícias do Brasil: tão perto, mas tão longe
Évora: até dia 30 no Garcia de Resende
Sexta Feira fui ao Teatro, hesitei bastante, ainda tinha na memória o frio que lá passei o ano passado por esta altura, mas lá fui e o frio horrível lá estava de novo… mas eu ia vestida tipo cebola e a coisa já foi mais suportável!Mas vamos ao que interessa… já não via o trabalho do Pim Teatro há algum tempo, a peça sobre a monarquia e a história de Portugal integrou as comemorações da república e eu estava curiosa….
A surpresa foi extremamente agradável, uma peça baseado no jogo teatral, sem grande diálogo, mas com muito dinamismo, onde a historia de Portugal vai sendo mostrada com todas as suas glorias e misérias. Duas horas de peça que passam com extrema rapidez e nos fazem dar gargalhadas sentidas.
Ali estava uma sala quase cheia de gente bem disposta a revisitar a história de um País!
Foi muito bom. Recomendo a todos os que gostam de teatro e agradeço ao grupo de actores que, no fim, terminam com uma conversa com o público, explicando as suas escolhas e escutando as nossas opiniões.
Viva o Teatro e todos aqueles que, apesar de todas as dificuldades, continuam a trabalhar na Cultura!
Lurdes
28 Novembro, 2010 12:31
E já que estamos nesta: Amor Casto
Amar dentro do peito uma donzela,
Jurar-lhe pelos céus a fé mais pura;
Falar-lhe, conseguindo alta ventura,
Depois da meia noite na janela:
Fazê-la vir cá abaixo, e com cautela
Sentir abrir a porta, que murmura:
Entrar pé ante pé, e com ternura
Apertá-la nos braços casta e bela:
Beijar-lhe os vergonhosos, lindos olhos,
E a boca, com prazer o mais jocundo,
Apalpar-lhe de neve os dois pimpolhos:
Vê-la rendida enfim a Amor fecundo;
Ditoso levantar-lhe os brancos folhos;
É este o maior gosto que há no mundo.
(Bocage - Antologia de Poesia Erótica)
Comunicado primo-ministerial

Comunicado do Gabinete do 1º Ministro
Faz o Governo saber que, até nova ordem e tendo em consideração a actual situação das contas públicas
e como medida de contenção de despesas, a luz ao fundo do túnel será desligada.
(C. André)
Sábado, 27 de Novembro de 2010
Alentejo, Tempo para ser feliz
“Alentejo, Tempo para ser feliz” é a assinatura da nova imagem e linha de comunicação criadas para qualificar o Alentejo, de Nisa a Odemira, como um destino de excelência, possuidor de uma oferta turística ímpar, afirma a propaganda oficial, acrescentando que a assinatura “tempo para ser feliz indica que o tempo no Alentejo tem outra medida: é mais vasto, mais humano, mais profundo e mais aberto".
Gostei da assinatura, acho que o folheto tem um grande manancial de informação e pode servir de base para uma multiplicidade de propostas. Aliás, o Alentejo, mesmo que o seja no turismo, merece sempre o melhor.
Os Tons deste blogue
O barco vai de saída
Adeus ó cais de Alfama
Se agora vou de partida
Levo-te comigo ó cana verde
Lembra-te de mim ó meu amor
Lembra-te de mim nesta aventura
P’ra lá da loucura
P´ra lá do Equador
(Fausto)
Vou novamente partir à bolina por estas terras do gerúndio.
Sexta-feira, 26 de Novembro de 2010
sugestão de fim de semana (2)
É na Rua da Corredoura, nº8, no centro histórico de Évora. Os contadores desta vez são Eduardo Luciano, João Barreiros e Maria Alves. Para quem quiser ver, ouvir e surpreender-se.
Bom fim-de-semana!
sugestão para o fim de semana
Está integrada no projecto "O Livro Grande dos Poemas Pequenos" e é encenada por Teresa Rodrigues.
Aqui fica a sugestão para domingo à tarde - 28 de Nov. pelas 16h - na sede do Imaginário: à Estr. de Almeirim, 4, em Évora.
Tribunal de Contas "arrasa" gestão da EDAB
Quinta-feira, 25 de Novembro de 2010
Da boca de Pacheco Pereira saiu uma verdade
O 25 de Novembro de 1975 mudou a minha vida. Tanto como o 25 de Abril de 1974.
Passei o 25 de Novembro na, já desaparecida, cintura operária de Lisboa (Cabo Ruivo, Olivais, etc.), na zona onde posteriormente foi construída a Expo e onde já poucas indústrias existem. Apesar do recolher obrigatório, na noite de 25, lembro-me de termos estado em diversas fábricas que se preparavam para resistir a um alegado golpe de direita. Mas, ao meio da noite, o PC e alguns sindicatos (mais orientados para a política da realidade) deram ordem para desmobilizar. Houve uma desmobilização quase geral. E um mar de tristeza abateu-se sobre a cidade onde todos os sonhos tinham sido possíveis.
A Greve Geral: uma mensagem cristalina.
A dimensão do protesto teve a bondade de mostrar que há um país real que não está vencido, que assume a indignação acumulada.Os poderosos, com mais ou menos colarinho branco, que têm condenado o futuro do país, tiveram a prova de que algo está a mudar em Portugal, ao ponto de dar origem a uma unidade sindical que muitos julgavam impensável nos tempos que correm.
RCP
25 Novembro, 2010 15:31
Sem legendas: homenagem à mulher portuguesa
Futebol: Porto-Juventude para a Taça

Ver mais
Debate: para que serve a Greve Geral?
Quarta-feira, 24 de Novembro de 2010
Sindicatos: três milhões fizeram greve
efeitos da greve
Alentejo: grande adesão à Greve Geral (act.)
Beja - Beja é hoje uma cidade com "clima" de fim-de-semana devido aos efeitos da greve geral que está a afectar vários serviços públicos. O ambiente no resto da região não é diferente. A esta hora da manhã ainda não há dados, mas é previsível uma adesão significativa em vários serviços de saúde, nas autarquias, escolas e transportes públicos. Segundo apurou o "CA" esta manhã, dezenas de consultas externas no hospital de Beja foram desmarcadas e adiadas. Muitos alunos não conseguiram chegar às escolas por falta de transportes e outros voltaram para casa depois de depararem com as portas fechadas: grande parte dos professores e funcionários aderiram ao protesto. Durante a madrugada, a recolha de lixo foi praticamente inexistente em toda a região e, nas câmaras municipais, principais empregadores no Baixo Alentejo, prevê-se que a adesão à greve seja superior a 80 por cento. (Correio Alentejo)
12h19 Évora; - Autarquias e escolas fechadas e outros serviços públicos, como finanças e tribunais, a funcionar a "meio gás" são hoje os efeitos mais visíveis, no distrito de Évora, da greve geral, que regista uma pequena adesão no setor privado. Enquanto os sindicatos da administração pública se congratulam com a adesão à paralisação nos serviços, os empresários alegam que, no privado, a "adesão é pequenina". "O setor privado conta com muitas empresas familiares e outras com poucos empregados. Por isso, a adesão é pequenina", disse à Agência Lusa o presidente do Núcleo Empresarial da Região de Évora, Rui Espada. (Lusa)
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Terça-feira, 23 de Novembro de 2010
Há dias assim!
Durante séculos na Europa, existiram contratos de escravatura.Só o medo e a descrença os poderiam levar a isso.
Hoje em dia, não creio que na sua essência as coisas tenham mudado assim tanto.
Concordo que na forma a coisa se apresente mais composta, mas no fundo são ainda o medo e a descrença que dominam.
Assistimos a impressionantes avanços científicos, tecnológicos, mas o salto civilizacional mais importante, a eliminação das barreiras sociais, da absurda exploração da maioria por meia dúzia de privilegiados hereditários, mantém-se.
Subsiste a fome, a doença, a pobreza, o trabalho infantil, subsistem os asilos em que despejamos os idosos, subsiste a ideia tenebrosa que sustenta viver o homem para a "economia" e não o contrário.
É este paradigma que se alimenta das desigualdades, que exige serem os que menos podem a pagar e os outros, os arrendatários do topo, aqueles que beneficiam.
Amanhã, dia de greve geral, as pessoas vão protestar. Espera-se que seja um protesto esmagador, para que seja também a tomada de consciência de que as coisas podem mudar, que existem outros caminhos, outras soluções, para que não sejam sempre os mesmos os eternos sacrificados.
M. Sampaio
23 Novembro, 2010 17:22
Porque é necessário conhecerem-se outros olhares
Isto só será possível se soubermos recuperar a ideia-base que inspirou a formação dos primeiros sindicatos: “a emancipação dos trabalhadores só pode ser obra dos próprios trabalhadores”. Saibamos então unir-nos, sem líderes nem representantes, discutindo os nossos problemas em assembleias de iguais, recorrendo sempre à acção directa, isto é, à acção sem intermediários (políticos ou burocratas sindicais), para agir pela resolução desses mesmos problemas, tendo sempre presente que os interesses dos que exploram e dos que são explorados jamais serão conciliáveis e que a nossa emancipação só será possível com a destruição do capitalismo e do Estado.
Saibamos vencer o medo e o isolamento de que os nossos patrões se alimentam e poderemos ousar protestar. E partindo de uma greve que os poderosos querem ordeira e inofensiva poderemos chegar a pôr em causa um sistema que nos transforma em escravos.
Contra a exploração capitalista! Pela igualdade social!
Unidos e auto-organizados nós damos-lhes a crise!"
Associação Internacional d@s Trabalhador@s - Secção Portuguesa - Núcleo de Lisboa
Greve Geral: a coisa já está a andar!

"Os 24 funcionários da recolha do lixo noturna que deviam ter começado a trabalhar às 20:00 não compareceram ao serviço e não saiu das instalações da câmara de Évora nenhum dos veículos destinados àquele trabalho”, afirmou o coordenador regional de Évora do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL), José Correia.
Segundo o mesmo dirigente sindical, a jornada de trabalho para recolha noturna do lixo na área urbana de Évora decorre diariamente entre as 20:00 e as 02:30 do dia seguinte."Não veio ninguém trabalhar", assinalou José Correia, em declarações à agência Lusa, à porta dos serviços camarários de recolha do lixo.
O dirigente sindical referiu ainda que na quarta feira também “não haverá recolha do lixo” noutros concelhos do distrito de Évora, como Vendas Novas, Arraiolos, Montemor-o-Novo e Mora, onde o serviço começa de madrugada.
A CGTP e a UGT realizam na quarta feira uma greve geral conjunta contra as medidas de austeridade anunciadas pelo Governo em setembro, que têm como objetivo consolidar as contas públicas, entre as quais os cortes de salários nos trabalhadores do Estado, o congelamento das pensões em 2011 e o aumento em dois pontos percentuais do IVA.
Esta é a segunda greve geral marcada pelas duas centrais. A primeira realizou-se há 22 anos contra o pacote laboral.
Não me vergo ao medo!
Estive em dúvida sobre aderir ou não à Greve Geral... Por um motivo muito simples, trabalho por conta própria e nunca fiz greve, já que nunca fez sentido reivindicar melhor salário e melhores condições de trabalho à minha patroa que sou eu própria, já que esta briga provavelmente acabaria no sofá de um psicólogo com um drama entre “Lurdes Patroa versos Lurdes Criada”, e eu não tenho dinheiro ou tempo para estas análises...Mas o que me levou a ponderar fazer esta greve foi o facto de toda a gente que me rodeia me dizer "não podes pois tens uma casa aberta"...
Isto irritou-me... afinal por ter uma porta aberta deixo de ter direitos?
Não sou senhora de me manifestar, por ter uma porta aberta?
E por mais que eu explique que estas medidas me penalizam também a mim e á minha empresa (a que tem a porta aberta) todos batiam na mesma tecla. mas os clientes podem não gostar!
Poder podem, é um direito deles, mas existem aqueles que vão gostar ou não?
E eu tenho de ter medo das opiniões dos outros em relação à minha decisão de cidadão?
A minha empresa presta um bom serviço! Tem preços acessíveis! Eu sou simpática! Não é isto que conta!
Ou a minha posição perante a greve geral (que não é partidária) é o mais importante?
Terei de abdicar das minhas posições para ter a casa cheia?
Durante dias briguei com todos e comigo... mas continuo na minha, este orçamento é mau para mim também, por isso coro o risco de os meus clientes acharem que eu não tenho o direito de tomar esta decisão que o Portugal de Abril me deu, e não me vergo ao medo!
Vai ser o que for...
Nota: pelo sim pelo não apelo aos que gostam da minha posição que se lembrem da minha porta aberta, não vão os outros abandonar e levar-me á falência!
Herberto Helder faz hoje 80 anos
vistos ao alto como um fogo antigo,
ou como um fogo juvenil.
Vistos fixamente abaixados nas águas
celestes.
Há lugares de um esplendor virgem,
com mulheres puras cujas mãos
estremecem. Mulheres que imaginam
num supremo silêncio, elevando-se
sobre as pancadas da minha arte interior.
Há cidades esquecidas pelas semanas fora.
Emoções onde vivo sem orelhas
nem dedos. Onde consumo
uma amizade bárbara. Um amor
levitante. Zona
que se refere aos meus dons desconhecidos.
Há fervorosas e leves cidades sob os arcos
pensadores. Para que algumas mulheres
sejam cândidas. Para que alguém
bata em mim no alto da noite e me diga
o terror de semanas desaparecidas.
Eu durmo no ar dessas cidades femininas
cujos espinhos e sangues me inspiram
o fundo da vida.
Nelas queimo o mês que me pertence.
o minha loucura, escada
sobre escada.
MuIheres que eu amo com um des-
espero .fulminante, a quem beijo os pés
supostos entre pensamento e movimento.
Cujo nome belo e sufocante digo com terror,
com alegria. Em que toco levemente
Imente a boca brutal.
Há mulheres que colocam cidades doces
e formidáveis no espaço, dentro
de ténues pérolas.
Que racham a luz de alto a baixo
e criam uma insondável ilusão.
Dentro de minha idade, desde
a treva, de crime em crime - espero
a felicidade de loucas delicadas
mulheres.
Uma cidade voltada para dentro
do génio, aberta como uma boca
em cima do som.
Com estrelas secas.
Parada.
Subo as mulheres aos degraus.
Seus pedregulhos perante Deus.
É a vida futura tocando o sangue
de um amargo delírio.
Olho de cima a beleza genial
de sua cabeça
ardente: - E as altas cidades desenvolvem-se
no meu pensamento quente.
Herberto Helder
Lugar/Poesia Toda/Assírio & Alvim/1979
Segunda-feira, 22 de Novembro de 2010
A nacionalidade de Adão e Eva
Um alemão, um francês, um inglês e um português apreciam o quadro de Adão e Eva no Paraíso.O alemão comenta:
- Olhem que perfeição de corpos:
Ela, esbelta e espigada;
Ele, com este corpo atlético, os músculos perfilados.
Devem ser alemães.
Imediatamente, o francês contesta :
- Não acredito. É evidente o erotismo que se desprende das figuras:
Ela, tão feminina,
Ele, tão masculino,
Sabem que em breve chegará a tentação.
Devem ser franceses.
Movendo negativamente a cabeça o inglês comenta :
- Que nada! Notem a serenidade dos seus rostos, a delicadeza da pose, a sobriedade do gesto.
Só podem ser ingleses.
Depois de alguns segundos mais, de contemplação silenciosa, o português declara :
- Não concordo. Olhem bem:
não têm roupa,
não têm sapatos,
não têm casa,
tão na merda,
Só têm uma única maçã para comer.
Mas não protestam ,
só pensam em sexo, e pior,
acreditam que estão no Paraíso .
Só podem ser portugueses.
Recebido por e-mail.
Serpa: Sebastião Rodrigues continua a espantar
Évora: a manifestação frente à Câmara até que correu bem
Eu contei à volta de 150 pessoas. E foi um momento bonito: é bom que todas as vozes se façam ouvir e a criação de uma opinião publica viva passa por aqui- por dar voz à multiplicidade de opiniões e formas de estar na sociedade, em geral. Mesmo um pequeno grupo, por mais restrito que seja, tem todo o direito a dizer de sua justiça. E não é este o caso. Esta é uma temática que interessa a muita gente e que cada vez mais está na ordem do dia. Parabéns aos organizadores deste momento importante do viver colectivo.
EST.
22 Novembro, 2010 16:25
É a esquerda que me aflige (...) Por isso vivo politicamente desamparado.
Ao contrário do que fazem parecer os blogs de esquerda e de direita, a ideologia não é algo que se apropria de nós de forma homogénea, orientando a nossa vida através de uma série de dogmas intocáveis. É apenas uma plataforma de ideias fundamentais a partir das quais confrontamos a realidade, formulando objectivos a atingir para adequar a realidade a esses princípios através de um conjunto de acções concretas. Isto dá trabalho, o que leva a que muita gente prefira importar ideologias “pré-fabricadas” prontinhas a consumir. Com ideias mais ou menos abrangentes, objectivos imutáveis e formas de acção fixas e tudo facilmente enquadrável em campos estanques de pensamento.
Da direita distancio-me facilmente. A crença na força do status quo nunca me subjugará. É, por isso, a esquerda que me aflige. É na esquerda que deposito esperanças; naquele idealismo incessante de quem acredita que podemos mudar o mundo. Só que a esquerda que leio todos os dias nos blogs, que retiro das acções dos meus colegas e que é retratada pela maioria dos media, não é a minha esquerda. Não vou aos arames com touradas ou praxes; não defendo a causa palestiniana (tampouco apoio Israel…); não reajo a todas as mudanças estruturais com o conservadorismo sindical (estranho que todas as mudanças são para pior – é um sucessão de reformas más que se tornam bestiais quando querem voltar a reformar); não odeio a UE e a NATO; nem embarco em relativismos culturais obtusos que apenas visam branquear comportamentos que deveriam ser intoleráveis para cidadãos livres e esclarecidos.
Penso a esquerda de uma forma diferente. Acredito no valor da igualdade, mas não à custa da liberdade. Sei que a felicidade é maximizada não pelo que se tem, mas pelo que todos temos. Seremos mais felizes quando formos tratados de forma igual; quando se abolirem as deferências e hierarquias sociais; quando o melhor canalizador, juiz, bombeiro, gestor ou político não só forem remunerados similarmente, mas principalmente quando forem encarados como igualmente importantes. Estes são os meus ideais e o começo dos meus problemas porque para a sua concretização a esquerda nada me oferece. Oferece-me meios para abolir a criminalização do aborto ou lutar pelo direito de qualquer pessoa a se casar independentemente da preferência sexual. Mas quanto ao que acho importante, aos objectivos que retiro dos meus ideias, nada feito. É por isso que vivo politicamente desamparado, longe de quem come toda a esquerda como uma ideologia unitária, debitando o pacote de ideais pré-estabelecidos. Pronuncio-me a descoberto da ideologia, sujeito aos ataques óbvios da direita e cada vez mais também da esquerda.
O que sou afinal? O que é alguém que acha irrelevante a praxe (dentro da legalidade); que considera a NATO fundamental num mundo em que a força ainda é um mal necessário; que considera o caminho da UE como válido ainda que imperfeito; que confia no poder das leis como garante das liberdades; que não aceita fundamentalismos, sejam da direita norte americana ou o dos islamitas; que acredita numa economia de mercado justa e distributiva, em que os trabalhadores têm assento nas administrações e partilham dos lucros; que não aceita uma Administração Pública refém de funcionários não qualificados, agarrados à burocracia e aos direitos adquiridos; e que, sobretudo, não vê caminhos a seguir, nem estruturas a que se agarrar.
Podem-me chamar do que quiserem, mas de ingénuo não. Sou apenas alguém que não pensa nos vossos moldes e que, não estando desorientado, não encontra o caminho.
22 Novembro, 2010 03:13
Évora: manifestação frente à Câmara hoje às 12,30 horas. Amanhã às 15,30 horas
O que se passa no Canil Municipal de Évora (Centro de Recolha Oficial), não é admissível, e tem que mudar!Coloquem faixas negras nas janelas!!
Embora a vontade de muito de nós, seja partir para o insulto do personagem responsável pelo abate dos 7 cães, não é ele que devemos visar nesta manifestação, mas sim a política seguida pelo município de Évora em matéria de protecção dos animais. Por este motivo, e porque queremos uma manifestação que contribua para uma mudança de atitude, pedimos a todos que evitem o uso de frases insultuosas, que contenham palavrões (pois vão estar crianças presentes) e que não abonem a favor da credibilidade desta iniciativa.
Pedimos a compreensão de todos! Não podemos cair no ridículo nem sermos confundidos com um bando de exagerados sem razão! O nosso protesto tem toda a legitimidade!! (AQUI)
A parada dos lívidos ou a Greve Geral
Assim escreveu José Gomes Ferreira sobre a gente deste país, algures entre 1945 e 1950.
Mais de sessenta anos depois "os tanguistas" disfarçam as olheiras, mais os modos de brutamontes, e até a sua condição de moços de recados de quem não hesita em dar todos os encontrões, e tudo o mais que for necessário para aumentar os seus lucros.
E nós ? Os que ouvimos e lemos os apelos à greve geral na próxima quarta feira? Que faremos?
Engoliremos o grito e passaremos adiante?
Ou soltaremos o grito da greve, fazendo saber que entretanto este país mudou?
Eu faço greve!
Domingo, 21 de Novembro de 2010
A velhíssima actualidade de Guerra Junqueiro
Envio-lhe este oportuno, nos tempo e “rocambole” de que somos parte, poema do Guerra Junqueiro com a velhíssima/actualidade de 114 anos. Até parece que o mestre Guerra andou na máquina do tempo. Faça dele o melhor que lhe aprouver.Abraço
Joaquim Pulga
"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio,
fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora,
aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias,
sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice,
pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas;
um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai;
um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom,
e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que
um lampejo misterioso da alma nacional,
reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.
Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula,
não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha,
sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima,
descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas,
capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação,
da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral,
escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.
Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo;
este criado de quarto do moderador; e este, finalmente,
tornado absoluto pela abdicação unânime do País.
A justiça ao arbítrio da Política,
torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.
Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções,
incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos,
iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero,
e não se malgando e fundindo, apesar disso,
pela razão que alguém deu no parlamento,
de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar."
Guerra Junqueiro, 1896.
Sábado, 20 de Novembro de 2010
Uma opinião séria de quem sabe o que diz
Assim dá gosto ter sobrinhos: "Não sou contra a NATO. Acho essencial a existência de uma organização que proteja a os países que defendem a liberdade. Contudo vou estar na manifestação de hoje, por quem foi impedido de expressar a sua opinião. Acho inadmissível que se impeça a entrada de quem apenas discorda de uma opção política de vários governos.... Por isso vou lá estar, a representar a liberdade que foi tolhida pelas nossas forças policiais". (B. Vidal)
Tolstoi morreu há cem anos
Tolstoi levou a sério a mensagem da Bíblia e considerou que o verdadeiro cristão precisa se opor ao Estado. Com esta leitura da Bíblia, Tolstoi (1998) chegou a conclusões anarquistas: “governar significa usar a força, e usar a força significa fazer para os outros o que certamente não gostaríamos que fosse feito para nós. Conseqüentemente, governar significa fazer aos outros o que não gostaríamos que os outros fizessem para nós, isto é, fazer o mal”. Um verdadeiro cristão deve ser avesso a governar os outros. A partir dessa posição anti-estatista ele naturalmente passou a defender uma sociedade auto-organizada: “Porque pensar que pessoas comuns não são capazes de auto-organizar suas vidas, e que governantes o farão não em proveito próprio, mas em proveito dos outros?”.
Tolstoi proclamava ação não-violenta contra a opressão, e via a transformação espiritual dos indivíduos como a chave para a criação de uma sociedade anarquista.
A partir da sua oposição à violência, Tolstoi rejeita tanto o Estado como a propriedade privada e defende táticas pacifistas para dar um fim à violência e gerar uma sociedade justa. Em suas idéias sobre uma sociedade livre, Tolstoi foi claramente influenciado pela vida rural russa e pelas obras de Peter Kropotkin e de J. P. Proudhon.(ler aqui)
Sexta-feira, 19 de Novembro de 2010
Um hino conveniente. Ou dedicado a quem gosta da Nato e a quem gostou do Pacto de Varsóvia
M. Sampaio propôs. E é uma "moda" bonita.
Eu, mais cáustico, proporia essa outra grande canção nacional: eu tenho dois amores. Um a Nato. Outro o Pacto de Varsóvia. Os dois em nada são iguais. Mas não sei de qual gosto mais.(vade retro satanas)





























